Eduardo Bellani @ 23/11/2008 - 19:28:07
Olá, gostaria de discutir uma questão que é muito relevante para os brasileiros em geral. O sistema de cotas que acaba de ser aprovado na câmara.
Aqui
tem um bom texto para saber mais sobre o assunto.
A questão real é de eficiência da solução. Cotas, ao meu ver,
serviriam mais para prejudicar o mercado alvo (índios, negros,
excluídos sociais, etc),
pois retiraria pressão do governo em providenciar aquilo que é responsável,
um ensino médio de qualidade, compromissado com o aprendizado
técnico, social e crítico da população, sem distinções.
Cotas em suma, não contribuiriam em nada para o alívio da dívida moral
(que existe e realmente precisa ser paga),
econômica e política que a sociedade brasileira e mundial tem com suas
parcelas mais
fracas e historicamente exploradas, e sim contribuiriam para os
políticos terem desculpas,
ao apontar para a "realização" da "justiça" com as cotas, sendo que
nada realmente justo
foi realizado, e a solução verdadeira que só viria com sacrifício e
mudança real é empurrada
para as próximas gerações realizarem.
Ou seja, é a solução de covardes que se escondem atrás de um escudo de
mentiras politicamente
corretas.
Eduardo @ 28/01/2009 - 22:12:39
A questão é que, ao investir no ensino básico, vai demorar até que uma geração saia beneficiada por isso. Os alunos que entram na escola agora pública agora já estão em desvantagem, e para contemplá-los de maneira imediata as cotas são uma boa solução.
Entretanto, o meu ponto de vista de um aluno de uma universidade pública, no caso a UFSC, é a de ser contra isso. Por dois motivos: o primeiro, conheço muita gente que teve que fazer muitos sacrifícios para poder pagar por um ensino de qualidade, que tinham a opção de ir para o público mas que optaram pelo privado para que pudessem prevalecer no vestibular. Estas pessoas, agora, estão em desvantagem, ao ver vagas escassas agora mais concorridas que nos anos anteriores. O segundo é que, como representante de meu curso no conselho de unidade do meu centro, no caso o CCE, ouvi da boca dos professores que foi realizada uma reunião com o reitor da universidade em que este pede para os professores "pegarem leve" com os cotistas. Isto, a meu ver, vai gerar um preconceito, infelizmente fundado, em que a sociedade, e um braço dela, no caso o mercado, vão alienar profissionais afro-descendentes sob a alegação que se tratam de profissionais de segunda linha.
Guilherme Testoni @ 09/03/2009 - 18:10:24
Concordo contigo Bellani, cotas é o meio mais fácil de resolver um problema social que vem se arrastando por séculos.
Governos medíocres e imediatistas são os que pensam que tal solução possa surtir efeito, pode até ajudar a um curtissímo prazo mas irão gerar vários outros problemas a longo prazo como os "profissionais de segunda linha" que o Eduardo falou no comentario anterior.
Nunca uma reforma se faz de um dia pro outro, como você vai ensinar uma criança que a violência não é solução para nada sendo que essa criança apanhou dos pais desde pequena. A base é que necessita ser mudada, todo o processo de reforma cultural e de pensamento passa pela educação, professores estimulados, capacitados e principalmente bem remunerados, a presença dos pais na escola acompanhando o desempenho da criança, o estímulo e a estruturação das escolas para que a criança tenha vontade de ficar o maior tempo possível na escola e que produza e aprenda coisas interessantes lá dentro.
Cito como referência a reforma educacional que ocorreu na Finlândia e tranformou-a no país com a melhor educação no mundo (reportagem da revista Veja):
http://veja.abril.com.br/200208/p_066.shtml
Para quem estiver mais interessado, aqui no Brasil também tem vários projetos que visam mudar a estrutura de ensino atual, como exemplo cito a proposta de educação libertária da escola AMANAMANHÃ localizada em Garopaba-SC:
www.amanamanha.org
"Só conheço uma liberdade, e esssa é a liberdade do pensamento."
Antoine de Saint-Exupéry